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Cultura

A cultura e história da freguesia de Vieira de Leiria é muita rica, englobando, por exemplo, um tipo de pesca artesanal típico do litoral central, a arte-xávega; o maior movimento migratório de Portugal (mais acentuado no século XIX e na primeira metade do século XX), os avieiros - ou "ciganos do Tejo", como os apelidou o escritor neo-realista, Alves Redol; as empalhadeiras, que trabalhavam o produto final em vidro fabricado em Vieira de Leiria; entre outras atividades que marcaram fortemente o nosso território.


Arte-xávega

A arte-xávega é um tipo de pesca artesanal de cerco que remonta a meados do século XVIII nas costas francesas e espanholas do Mediterrâneo e na Galiza, a partir de onde se proliferou para outros locais do litoral.
A rede e o saco (xalavar) são levadas pelo barco até uma distância considerável da costa, deixando uma corda amarrada em terra; após deitarem o saco ao mar, voltam a terra, trazendo a outra parte da corda. Já em terra, ambas são puxadas pelos tratores, fazendo um cerco aos cardumes de peixe
Os registos das primeiras companhas na Praia da vieira remontam ao início do século XIX, após as obras de regularização do leito do Rio Liz; os barcos chegavam a atingir os 15 metros de comprimento e era normal neles embarcarem entre 40 a 50 homens, sendo as redes puxadas com recurso à tração animal, com as tradicionais juntas de bois. Esta arte começa a entrar em decadência em meados do século passado, passando-se necessariamente para embarcações mais pequenas e a tração animal deu lugar à alagem braçal, a tirante. 
Nos dias de hoje as embarcações já são maiores e o trator é o instrumento utilizado para puxar as redes e manobrar os barcos em terra, bem como para transportar o peixe da praia para a lota, na zona Sul da Praia da Vieira.





Avieiros

Os avieiros, ou "ciganos do rio", como os apelidou Alves Redol, constituíram o maior movimento migratório de sempre dentro das fronteiras de Portugal. 
Fruto da promulgação do Regulamento Geral das Capitanias, a 1 de Dezembro de 1892, e com as companhas a passar para a posse dos patrões, os pescadores, sujeitos a um regime contratual e disciplnar mais severo, e as suas famílias, que já se dirigiam para o Tejo com um carácter sazonal, começaram a fixar-se aí, em aldeias como o Patacão, Escaroupim, entre outras.
Com uma vida sofrida (comiam, trabalhavam e dormiam a bordo das bateiras, embarcação típica dos avieiros), estas famílias transfiguraram completamente o Tejo. Com a mulher a remar e o homem a tratar das redes, esta era a imagem de marca dos avieiros que ocupavam as margens do rio Tejo desde Vila Velha de Ródão até Santa Iria de Azoia. Quando o mar da Praia da Vieira ficava mais revolto, no final do verão, os pescadores dirigiam-se até à borda d'água e por ali ficavam desde o outono até meio da Primavera, dedicando-se à pesca do sável, da lampreia, da saboga, fataça, enguia, linguado, entre tantas outras variadas espécies de peixe do rio, que hoje fazem as maravilhas de quem visita aquela zona.
Os avieiros eram, por força das circunstâncias e da segregação por que foram votados pela população rural (Alves Redol dá conta deste sentimento no seu livro "Avieiros") uma comunidade bastante fechada, assente no núcleo familiar. Ainda assim, a cultura avieira soube caracterizar-se e sobreviver ao passar dos tempo, assentando em quatro alicerces fundamentais, que a tornam única:
a gastronomia, as construções palafíticas, as embarcações típicas (bateiras) e as artes praticadas.



Foto: Jorge Figueira

Por Vieira de Leiria

Foram várias as atividades desenvolvidas em Vieira de Leiria que, fruto do desenvolvimento e do próprio passar do tempo e consequente viragem para outros setores de produção, foram desaparecendo. Estas atividades marcaram profundamente a vida das mulheres e dos homens que a elas se dedicavam, bem como vincasram também a cultura de Vieira de Leiria; incluímos as resineiras, as empalhadeiras, os serradores ou as próprias mulheres que produziam blocos para o setor da construção.

As empalhadeiras praticavam, como o próprio nome indica, a atividade do empalhamento, consiste no revestimento de diversos bens com o objetivo de melhorar o seu aspeto visual e a sua resistência. Após horas de trabalho, entre vime e liaça, as garrafas e garrafões de vidro produzidos em Vieira de Leiria ganhavam outro aspeto visual e mais resistência.




A atividade das resineiras consiste na abertura de incisões no tronco de várias espécies de árvores, de onde escorre a resina, que é depois recolhida em recipientes próprios (púcaros ou sacos), fixos à árvore. Devido à existência do Pinhal do Rei e à quantidade de pinheiros que por estes lados abundavam, as resineiras constituíam uma das profissões mais emblemáticas da nossa terra. Nos anos 70, Portugal chegou a ser o segundo maior produtor mundial de resina, para o qual muito contribuíram o nosso pinhal e as pessoas que nele trabalhavam.



O serrador foi outra profissão que surgiu fruto da envolvência do Pinhal do Rei no nosso território. Munidos da burra (vulgo cavalete), da traçadeira, do fio com a tinta para marcar os cortes e das serras, os serradores de Vieira de Leiria, muitas vezes, saíam da sua terra para os arredores para executar este trabalho de serrar os barrotes que posteriormente se tornariam em tábuas. Graças ao trabalho dos serradores, muita desta madeira destinava-se ao consumo doméstico, como combustível, mas também para a construção civil, construção de mobiliário e outros artefactos.